Por amor ou por besteira?


06/02/2010


Loves ever ends.

Amor é uma coisa tão boa, o foda mesmo é quando acaba; e um problema maior ainda é que nunca acaba pros dois ao mesmo tempo.  Quando é o nosso amor que acaba, a gente faz exigências: exige que a pessoa entenda, exige que a pessoa siga, exige que a pessoa seja feliz, às vezes até exige manter uma amizade que não rolaria nem que Jesus voltasse a Terra hoje. A gente nem percebe que a pessoa já estará fazendo essas e outras próprias exigências: a gente exige da gente mesmo que entenda, exige que a gente siga, exige que a gente seja feliz, e às vezes até exigimos manter uma amizade que não rolaria nem a Magali parasse de gostar de comer, e queremos isso só pra outra pessoa não se magoar com a gente, ou porque queremos nos mostrar fortes, ou por uma lista infinita de motivos que no fundo nem são bons e só infundam ainda mais esse sofrimento que o mundo ta exigindo de nós.

E ai o msn perde a graça, ficar na internet não é mais interessante, cerveja, cigarros e comida perdem o sabor, e a gente só deseja curtir um pouco mais a fossa, só porque essa fossa é a única coisa que ainda guarda um pouco daquele amor que deu beijo, deu tchau, foi embora e nem olhou pra trás. Choramos, choramos sim e choramos muito. Me deixa chorar mais um pouco?

Ai os amigos lançam aquelas frases-feitas que não fazem efeito desde que você parou de ouvir: “Quem te merece não te faz sofrer”, “Não chora, não vale a pena”. Citam até escritores que mexem contigo: “Lembra do que Shakespeare disse? Não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára pra que você o conserte”. E eu devo concordar, não pára mesmo. Aquelas futilidades como saídas, gibis, músicas (não a de vocês, essa você exclui do playslist), oxigênio e calças jeans ficam gritando que você não dá importância a elas, e você percebe que tem que seguir. Ficar parado atrapalha você, e quem ta atrás.

Ai a gente segue. E um amigo diz que “no fundo a gente sempre se ilude, espera que dure pra sempre.” Eu não esperava, afinal não viveria pra sempre, e você? Ninguém realmente espera que um amor vá durar pra sempre, o que a gente espera é que ele seja pleno, que seja lindo, e que quando acabar, que deixe lembranças boas. A gente espera que quando ele acabar, que acabe pros dois ao mesmo tempo. A gente espera que não haja mentiras, e que ao invés de falar que ele é pra sempre, que nos digam que ele é verdadeiro.

Vem aquela sensação.

E é quando a gente desiste de sentir dor ( na verdade, é quando ela já está há tanto tempo, que não a sentimos mais ) que decidimos viver. E ai ligamos pra’quele gato(a) que estava esquecido na agenda telefônica, só pra marcar um cinema. Cinema? Isso é desculpa, a gente quer é um amor, um novinho em folha, pra poder respirar alegria e beijar felicidade. Nossa cicatriz está quase curada, e já dá pra pensar em novos planos, de novo.

Mas antes disso, antes de seguir, todos sentimos aquela sensação, que deve ser algo similar ao pior sentimento que se pode sentir. É angústia, é enjôo, é tristeza e é irritação ao mesmo tempo. E também não é nada disso. Eu não estou falando de dor. Estou falando daquela estranha sensação, que é  sentir nada.

Escrito por Juuh Lee :* às 03h49
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