Por amor ou por besteira?


18/11/2009


Desânimo.

Quando se está animado (a), é engraçado como as coisas fluem. As conversam paralelas parecem nunca ter fim, achamos todos os programas que queríamos ver na televisão, e até o céu manda motivos pra elogiar as nuvens. Mas o desânimo impede que as coisas fluam. E a gente briga com ele, impede o sentimento de chegar. Grita, rodopia, procura qualquer coisa pra fazer. Que medo é esse, de se ver sozinho em cima das próprias angústias? E quando percebi o desanimo chegando sobre mim, permiti que enraizasse por ao menos este dia o que ele queria. E amaldiçoei o tempo por estar com um Sol tão brilhante, céu tão azul e nuvens tão brancas, fazendo com que eu me sentisse deslocada. E ignorei o controle remoto, já sabendo que nada de bom passaria na televisão. Ignorei os amigos que me chamaram pra sair, usando da educação que fica guardada em outro departamento do corpo. E deitei na cama, só pra me sentir desanimada. Deixar que o desânimo entrasse ainda mais em mim, e me mostrasse as cicatrizes antigas que eu fico escondendo em baixo dos meus sorrisos tão habituais. E o coração ficou pequeno lembrando das pessoas amadas que estão tão distantes. E daquelas que estão perto, mas que não faço questão. Fiquei pensando em gente que não conheço e que nunca vi... E dando destinos e futuros pra cada um deles, só pra matar o tempo. Cantei músicas tristes, e escrevi músicas também. E lembrei de brigas e pedidos de desculpas, de trabalhos apresentados na escola, lembrei de saudade.

Era a primeira vez que eu me permitia essa liberdade tão mórbida, esse desejo da animação suicida, que eu achava impossível me permitir. Mas porque, se tudo isso também é parte de mim? Sou dona dos meus sorrisos e das minhas lágrimas, minha vida não é palco e eu não sou palhaça, qual o problema em me permitir ficar triste assim, por nada? E mesmo com a possibilidade de me contradizer posteriormente, eu não me impeço de me perder no infinito das quatro paredes do meu quarto e ficar pra baixo. Sentir paz, angústia, medo, saudade, imprudência, desgostos, raiva e ódio, tudo batido no liquidificador. Porque eu me quero feliz e não me deixo ser triste assim, só às vezes? Não dá pra sentir falta da luz se não ficar no escuro. O apagão desse mês ta ai confirmando isso. Chorei um pouco, e logo depois sorri. Engraçado essa de se jogar por se jogar, você cai por que quer, e é bom. E não precisando me explicar pra ninguém, o desânimo se estica na minha alma dizendo que pelo menos essa noite ele quer me fazer companhia, vai dormir comigo. Olha só que folgado, não convidei e ainda decide quando vai partir? Era primeira visita, assim consciente, então deixa ele se sentir a vontade. Porque hoje o desânimo flertou comigo e eu decidi dar um mole legal. E angustiada, me sentindo mal, eu caminho pra cama. Amanhã eu acordo e ele já foi, tadinho; sem nem se despedir. Melhor. Assim não nos apegamos e a visita não se torna rotineira. Porque gostei de permiti-lo entrar e me fazer sentir dor decidida, tapa esperado. Mas amanhã eu já não o quero, e é melhor não se apegar. Porém ainda é hoje, e meu desânimo está aqui. Não me importo do que irão pensar, mas esperando o amanhã, é melhor decidir por dormir.

Escrito por Juuh Lee :* às 03h14
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