Por amor ou por besteira?


27/01/2009


My hero.

Meu pai e eu sempre fomos estranhamente parecidos. Não daquele tipo que olhavam e diziam "Ela puxou isso ao pai", apesar de que somos parecidos desta forma também. Meu pai e eu fomos do tipo que se encaixa perfeitamente, de forma até divina eu posso dizer, algo bem mais interno, algo mais nosso, digamos assim.

Eu nunca gostei de brigas desnecessárias, lágrimas desnecessárias ou lamentos desnecessários. Sempre fui muito prática, como ele.

A melhor parte de mim, eu devo a ele, isso é fato. A minha concentração, a tranquilidade, aquela esperança de sempre haver uma chance a mais. Tudo dele.

O silêncio NUNCA foi desconfortável para nós. Não que não pudessemos conversar, não é isso. Sempre nos entendemos, desde assuntos sobre OVNI's, política, passado... Sempre me senti mais adulta, mais madura, falando com ele, e apesar disso, eu podia simplesmente errar, e ser eu mesma. Ouvir as broncas certas, os elogios que erarfeitos ao momento. Apesar de ser uma caixinha de surpresas pra todos que me conheciam, eu sempre soube que meu pai podia me ler como um livro aberto.

Minha mãe é o exgareo, mas daquela forma terna, boa, de mãe mesmo. Meu pai é o controle, mas não aquele da regra básica, o chato. Ele era o controle necessário, sem o qual não a peça que se mova no xadrez.

Minha mãe sempre foi muito cuidadosa comigo, perto dela, parece-me até um pedaço do céu, e se existir uma parte desse espaço divino na terra, pra mim é ela. Mas as vezes ela ultrapassa aquela linha tênue que é precisa pra nossa individualidade, e meu pai sempre soube sondar isso muito bem... Ele sabia dizer a ela, que eu não queria dizer porque eu estava chorando, porque eu queria ficar sozinha... Ele colocava o escudo em volta de mim, e sozinha (como só ele sabia que eu queria estar), eu sabia que não estava sozinha.

Silêncio. Essa nossa comunicação tão bárbara! Ninguém no mundo pode captar meus sentimentos como ele pega, assim, no ar. É gostoso andar de carro com ele, sem ter que ficar puxando assuntos monotonos que me irritariam. Eu ODEIO conversar dentro de qualquer automovel. Ele sabe, ele também... e o silêncio fica lá, gostoso... como se estivessemos num bate-papo que só a gente entende. Tipo lendo as mentes um do outro, sei lá...

E agora ele está se despedindo do pessoal da cidade, pra ir morar em outro estado. Eu vou pra lá também, daqui a alguns meses, mas mesmo assim a saudade fica incomodando no peito, silenciosa.

Não há palavras que eu possa dizer a ele, nesse momento. "A gente se vê logo". "Eu vou ligar, vou escrever, vou entrar na internet..."

Com ele, tudo é menos quando as palavras saem pela boca. Porque enquanto elas estão dentro de mim, dentro da minha cabeça, ele lê nos meus olhos, e eu não preciso dizer mais nada.

Qualquer um a nossa volta pode nos achar secos, mas, enquanto só a gente se entende, olho no olho, silêncio... ele sabe o quanto eu o amo mais que tudo.

Escrito por Juuh :* às 18h00
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